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Vamos conversar sobre a onda do minimalismo?

8 de maio de 2026

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Minimalismo
mi·ni·ma·lis·mo
– substantivo masculino

  1. Predisposição para redução e simplificação dos elementos que compõem um todo.

Bem-vindo, explorador!

Sabia que o minimalismo não nasceu no branding? Isto é, não foi criado por agências de publicidade ou para vender produtos. Essa manifestação começou a ganhar força lá nos anos 1960, como um movimento artístico que reagia justamente ao excesso visual da época, onde a proposta era simples e radical, partia da ideia de cortar o ruído e deixar só o essencial. Com o tempo, essa lógica escapou das galerias de arte e foi ocupando outros territórios, como a arquitetura, moda, produtos e claro, o design e as marcas.

Quem trabalha com design provavelmente já ouviu algo como:
“Queremos algo mais clean, mais minimalista…”

A frase virou quase um meme interno entre os profissionais da área, mas ela não aparece por acaso!

O design sempre se move em ciclos. Já tivemos a explosão dos degradês e neons dos anos 1990, a mistura futurista-orgânica dos anos 2000 e várias outras ondas que dominaram a estética de uma geração inteira. O minimalismo que vemos hoje é só mais um desses movimentos.

Vivemos numa cultura saturada de informação, o feed das redes sociais é poluído, recebemos notificações o tempo todo, os smartphones estão em uma disputa constante por nossa atenção. Nesse cenário, faz sentido que tanto o público quanto as marcas passem a valorizar mensagens mais diretas, visuais mais limpos e comunicações que não exigem esforço extra para serem compreendidas.

A evolução visual da Nike é um bom exemplo de simplificação bem-sucedida. Ao longo do tempo, o famoso Swoosh foi ganhando autonomia até muitas aplicações dispensarem completamente o nome da marca. A força do símbolo veio justamente da consistência e da clareza, não de uma redução feita às pressas.

Mas nem sempre o movimento é recebido com o mesmo entusiasmo. Quando as marcas acabam entrando na onda mais por pressão do que por estratégia, surge um efeito colateral que muita gente do design já percebeu, identidades cada vez mais corretas, limpas, mínimas, mas com aquela cara cada vez mais parecida entre si.

Um caso que gerou bastante debate foi o rebranding da Burberry em 2018. A marca adotou uma tipografia sans-serif limpa e abandonou elementos mais clássicos do seu visual. O resultado é contemporâneo e funcional, mas parte do público e da comunidade criativa questionou se a mudança não aproximou demais a Burberry de outras grifes que seguiram o mesmo caminho minimalista. Hoje, a Burberry já passou por um novo rebranding, trazendo elementos que são mais alinhados com sua origem…

Percebe a linha tênue? Minimalismo pode elevar uma marca, mas também pode neutralizá-la. Quando a simplificação nasce de um conceito forte, ela tende a funcionar muito bem, mas quando nasce só do medo de parecer datado, o resultado costuma ser um visual correto, porém esquecível.

No fim das contas, o minimalismo continua sendo uma ferramenta poderosa, mas, como toda ferramenta, não é solução universal. Existem marcas que ganham força ao reduzir, enquanto outras precisam de mais textura, mais expressão, mais ruído controlado para transmitirem a sua mensagem, e tudo isso é estratégia!

O que vale mesmo é a intenção por trás da forma. 

Até a próxima, explorador!

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